Deus se revela a Moisés através da sarça ardente.

Êxodo Cap. 1, 2, 3 e 4

Shemôt – Êxodo Cap. 1, 2, 3 e 4

——- Considerações Importantes! ——-

Êxodus (no latim) significa “saída” e Shemôt (no hebraico) significa “nomes”. A palavra “êxodo” é uma tradução da Septuaginta, portanto, não consta no texto original. Reiteramos que devemos estudar as Escrituras Sagradas com nossos “olhos espirituais” bem abertos, tentando entender os textos em três tempos distintos: passado, presente e futuro. Podemos ver em qualquer livro da Torá, simultaneamente, a história da humanidade, a história do povo hebreu, a mensagem de Deus para os dias de hoje e para o futuro também. Além disso, não é difícil visualizar em todo o texto a pessoa do Messias, bem como fazer analogia com nossa vida e com nossa caminhada espiritual. Talvez aí se encontre a maior revelação dos textos bíblicos.

A Torá (Pentateuco – os 5 primeiros livros da bíblia) é mais do que um simples livro. Ela é a palavra do próprio Deus se revelando ao homem. É um livro vivo, suas palavras são vivas em seus ricos e sábios princípios. Relembramos, também, que estamos buscando o  “o princípio da Torá e uma observância legítima dos seus mandamentos”, e não o legalismo de qualquer lei. Jesus não veio revogar a Lei, mas cumpri-la. Assim, o princípio da Lei não foi anulado, pelo contrário, está revivido a cada dia na expressão máxima do plano e propósito de Deus: enviar o Messias, em glória e de maneira soberana, para reinar entre os povos e nações.

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O rei do Egito ordenou às parteiras que matassem os filhos das hebréias, do sexo masculino, quando nascessem. Vê-se claramente a mão do diabo tentando destruir esse povo eleito de Deus, que se tornava a cada dia mais numeroso e forte. ele sabia que essa força vinha de Deus.

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Para o diabo não importa se o seu pecado é mais ou menos grave; o que ele quer é roubar sua liberdade, fazendo-o ignorar o seu livre-arbítrio, impedindo-o de viver, de criar e de exercer poder e autoridade sobre ele. Por isso, quando o marido e esposa brigam em casa ou com seus próprios filhos ou os filhos entre si, aparecem os sentimentos de ressentimento e de amargura que nos prendem e nos escravizam de certa forma, tirando-nos a capacidade de gerar força e ação da fé no mundo espiritual. O contrário de perdoar é reter, e o pecado retém. Por isso o diabo vive lançando palavras, pensamentos que prendem e escravizam as pessoas no mundo espiritual. Quando você perde a capacidade de produzir e fica infrutífero. Um coração magoado não é capaz de produzir nada. A unção desaparece por completo.

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Êx. 2:1-2 – “Foi-se um homem da casa de Levi e casou-se com uma descendente de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e; vendo que era formoso, escondeu-o por três meses.

Em Êxodo vemos sempre o número 3. Três simboliza “mudança de estado”. O número 3 lembra a caminhada que Abraão fez com Isaque até o monte Moriá, a fim de sacrificá-lo, quando andaram por três dias. Deus enviou um cordeiro para ocupar o lugar de Isaque. Esse cordeiro estava tipificando a pessoa do Messias, que padeceria e após três dias haveria de ressuscitar, próximo àquele mesmo monte, o monte Moriá.

Depois disso, não podendo mais esconder o menino, sua mãe tomou um cesto de junco calafetado e pondo nele o menino, o lançou à beira do rio. Quando a filha de faraó o acolheu, a irmã de Moisés que observava de longe, logo se ofereceu para trazer uma hebréia para servir de ama. Ela, então, trouxe sua própria mãe, que o tomou e criou.

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Êx. 2:10 – “Sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de faraó, da qual passou ele a ser filho. Esta lhe chamou Moisés e disse: Porque das águas o tirei.

Moshê (Moisés), vem da raiz de mashá – “sacar, tirar, puxar para fora (da água)”

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A filha de faraó, que o criou, proporcionou-lhe instrução em todas as ciências do Egito.

Um dia, ao ver um egípcio maltratando um hebreu, matou-o, fugiu para o deserto e permaneceu ali por quarenta anos. Lá, casou-se com Zípora, filha de Jetro, da terra dos Midianitas.

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Êx. 2:23-24 – “Decorridos muitos dias, morreu o rei do Egito; os filhos de Israel gemiam sob a servidão, e por causa dela clamaram, e o seu clamor subiu a Deus. Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó.”

Por quarenta anos, Moisés, um príncipe, um homem culto, apascentou o rebanho de seu sogro Jetro. Deus não usa ninguém sem antes prepará-lo, por isso Moisés teve de aprender primeiro a cuidar de ovelhas, no campo, antes de cuidar do povo de Deus.

Aqui há pelo menos três pontos importantes para se cumprir um propósito de Deus; primeiro, ser chamado; segundo, ser preparado; e terceiro, ser enviado.

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Êx. 3:2 – ” E apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio duma sarça que ardia no fogo e não se consumia.”

Toda vez que a Bíblia fala de sarça, o sofrimento do povo hebreu é lembrado. Deus escolheu uma simples sarça para fazer brilhar sua Sh’chiná – “presença”.

Êx. 3:4 – “Vendo o Senhor que ele se voltava para ver, Deus do meio da sarça, o chamou, e disse: Moisés, Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui.

Hinêni, ou seja “Eis-me aqui para obedecer e servir”. A resposta de Moisés mostra o quanto ele estava pronto. Mas, para isso, Deus o tirou do meio do sistema que operava na época e o deixou quarenta anos cuidando de ovelhas.

Êx. 3:5 – “Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estas é terra santa.”

Deus mandou Moisés tirar as sandálias dos pés para que ele entendesse que diante do Senhor ele era um “descalço”, um desprovido. Moisés deveria se colocar na presença do Senhor como alguém que nada é diante da Sua grandeza, e isso nos serve de exemplo para nos colocarmos na presença de Deus. O homem só pode cumprir o propósito de Deus quando passa por um processo de quebrantamento, ou seja, um profundo arrependimento que leva à quebra do “eu”.

Êx. 3:13 – “Qual é o seu nome? Que lhes direi?”

Esta foi a pergunta de Moisés. Deus possui um Nome, assim como nós, mas sempre que Ele se manifestava de uma forma diferente, diziam um novo nome para representá-lo, veremos adiante alguns desses nomes.

Êx. 3:14 –  “Disse Deus a Moisés: אהיה אשר אהיה – Ehiê, Ashêr Ehiê – SEREI o que SEREI – Eu sou me enviou a vós outros.

Essa expressão, no hebraico arcaico, tem o sentido de “tornar-se”. Então, poderíamos entender como: “Eu me tornarei aquilo que tu queres que Eu me torne”. Ele é o suprimento de tudo aquilo que precisamos a cada momento. Ele supre nossas necessidades. Então Ele é o Todo-Poderoso, o Criador dos céus e da terra. Não pronunciamos o nome de Deus por questão de reverência. Não há como limitá-Lo a um nome, Ele é tudo! Qualquer nome, em qualquer língua, não poderia expressar o que Deus é em toda Sua plenitude e sabedoria.

Creio que Deus quis passar a Moisés o verdadeiro conceito de seu próprio nome. Assim Moisés entenderia: se eu estou fraco, Deus se torna a minha fortaleza; se eu estou guerra, Ele me faz vencer; se eu estou cansado, Ele é o meu descanso; se eu estou triste, Ele se torna minha alegria; se eu estou doente, Ele se torna minha saúde; e assim sucessivamente. Afinal, Deus é tudo e se torna tudo o que necessitamos.

Podemos aqui enumerar pelo menos três motivos pelos quais os judeus até hoje não escrevem ou pronunciam o nome de Deus, o mais conhecido como Tetagrama: IHVH (יהוה) primeiro, por reverência ao nome de Deus; segundo, porque seu perdeu a pronúncia que o som de quatro consoantes produziria (no hebraico antigo não existia vogais, portanto teria que conhecer a palavra para pronunciá-la); terceiro, não pecaríamos quanto ao segundo mandamento de não tomar o santo nome de Deus em vão, pois, se não o pronunciamos, não corremos o risco de pecar contra o sagrado nome; 

O melhor a fazermos, creio eu, é empregar adjetivos da natureza divina para chamá-Lo ou invocá-Lo, como Adonai (Senhor), El Shadai (Aquele que amamenta, o Todo-Poderoso), Adonai Tsevaot (Senhor dos Exércitos), El Elyon (Deus Altíssimo), etc.

Também podemos chamá-Lo de HaShem (O Nome), pois sabemos que não há nome maior que O Nome.

Paulo diz que devemos guardar as boas tradições. E eu creio que não pronunciar o nome de Deus é uma boa tradição.

Muitos por muitos e muitos anos, sempre achavam que o nome dEle era “Deus”, quando na verdade o nome “deus” vem do latim, Dei, pelo qual toda entidade “divina” é também chamada, como o deus dos trovões, o deus das águas, o deus das tempestades, o deus saturno, etc. Mas o Deus de Israel é o Único. Daí vocês verão muito por aí pessoas para diferenciar o Deus único dos demais deuses, colocando um apóstrofo no meio da palavra (D’us), demonstrando assim, que estamos nos referindo ao Deus único. (Adonai Echad.)

Daqui em diante, já que entendemos isso, quando formos falar sobre o Criador, iremos escrever assim: D’us.

Êx. 3:19 – “Eu sei, porém, que o rei do Egito não deixará ir, a não ser por uma forte mão.”

“Mão forte” é uma expressão que de agora pra frente irá aparecer muitas e muitas vezes, caracterizando a maneira como D’us trabalha: com mão forte!

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Êxodo 4 – Moisés recebe poder para fazer prodígios

Moisés não se sentia preparado para tão grande missão. Depois de quarenta anos cuidando de ovelhas, tornou-se inseguro. Mas, para D’us naquele momento, ele estava preparado. Os métodos de D’us são diferentes dos nossos. Ele nos trata no deserto, onde vivemos e temos de dar fruto. “Ah! Senhor D’us” Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. Mas o Senhor me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás.” (Jr. 1:6-7)

Moisés resistiu a D’us alegando falta de eloquência e dificuldade de se comunicar, e D’us, em Sua misericórdia, levantou Arão para ser sua boca.

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Êx. 4:21 – …porque endurecerei o coração (de faraó) e ele não deixará ir o povo.

Por que será que D’us endureceu o coração de faraó?

Por muitas razões, mas direi pelo menos três delas: primeiro: mostrar que só D’us liberta o homem; segundo, faraó (inimigo) seria derrotado pelo poder de D’us; terceiro: o povo hebreu creria nesse D’us para sempre.

Jacó luta com o Messias Jesus

Gênesis Cap. 31, 32 e 33

B’reshit – Gênesis Cap. 31, 32 e 33

——- Considerações Importantes! ——-

Jacó vinha recebendo vários sinais indicando que a hora de voltar a Canaã estava chegando; E agora, a ordem do próprio Deus.

Sempre que uma mudança é feita sob a vontade de Deus, por melhor que pareçam outros caminhos, o “crente” pode contar com a presença e o cuidado amoroso e poderoso de Deus.

Vimos a primeira oração de Jacó registrada desde sua partida de Betel, e pode ser compreendida como um modelo:

1 – Reconhecer que vem de Deus toda a iniciativa nas manifestações da Graça Divina.
2 – Reconhecer que não há qualquer mérito pessoal, mas que unicamente Deus, mediante sua graça e misericórdia, é a Fonte inesgotável de todo bem e do dom perfeito.
3 – Reconhecer nossa condição de necessitados do cuidado, direção e proteção do Senhor.
4 – Reconhecer que sem fé é impossível agradar a Deus, e seguir crente nas promessas do Senhor.

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Jacó pode ter pensado que o homem que viera contra si poderia ser um espia de Esaú. Entretanto, no decorrer da luta ali travada, Jacó veio a entender que aquela figura humana não era um simples mortal, pois se tratava do próprio Deus, então o agarrou suplicando que não o abandonasse.